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Cio da Terra - E. B. Brito |
Lavra-se u'a idéia,
como a qualquer outra eira,
arando e revolvendo os conceitos,
até se obter uma textura granulosa e fértil.
A semeadura dá-se
durante as horas d'ócio,
solitariamente,
quando eclodem
os brotos iólipos.
Esses linossignos
surgirão aos molhos,
morfemas copiosos, como os dos cegos de feira;
Então deve-se usar um esboiceiro ou boiceira,
de modo a separar deles a baganha ou bagulho,
pelo modo com que se retira do linho a linhaça.
Assim, segregado, metapoéticamente,
o molho de morfemas será colocada num cesto
e deixado ao sol durante dias,
por forma a aloirar bastante
e estar pronto para entrar na tessitura.
Depois disso, há de ser guardado
num canto aquecido, protegido por pedras,
durante cerca de três dias consecutivos,
até quebrar a casca,
feito um pintainho de quelônio.
Retirado da gruta, ,
grandioso ou sem graça,
é deixá-lo correr num relvado,
divertindo-se ao sol
para curar imperfeições congênitas.
Nos dias seguintes,
será gramado na grama,
malhado com a malha,
esmagado,
tasquinhado
e, duramente, ripançado no ripanço,
para que assim, entremeadas pelos brotos comuns,
se possam urzir raridades,
que, por sua vez, devem ser
fervidas com água e cinza
dobadas em dobadoiras,
para escoimar impurezas;
Leva-se, então, ao bem fundo d'alma,
para tentar re/alçar...
Colher-se-ão, enfim, as impalpáveis luzes,
essas que, improváveis em pedras,
surgem,
algo de espanto,
lumes estranhos, nisso
que fulge.
Ó, bardo, em que, afinal, tu urdes?
Imagem:
Cio da Terra