
Ao Mestre Vasconcellos Sobrinho
O sol é exato, é fato.
A ciência apura: quantas, fótons.
E eu, cá embaixo,
Um fato?
Dado concreto, objeto dissecado.
No entanto, assistemático.
Quem mensura não me explica.
Que morra toda a estatística
E que a ciência estertore
Como fato de cabrita
Pendurada no curtume.
Sob o sol, nesses ardores,
Não calculem minhas dores.
Quero p(r)o(f)etas,
Não, doutores.
O sol deveras é exato, lá no alto.
E eu,
o objeto, o fato,
ressecado no arame.
Rejeito o método.
Rejeito o número.
Rejeito o nome.
Só me consumo.
E o sol me consome.
Eis um homem!
Fonte da imagem:
Estamira - o filme
5 comentários:
Hora gosto do exato, do concreto, do fato, do palpável...hora não me enquadro, fujo do quadro, do esquadro...do certo e do errado...
beijo
Você é grande.
Lembrei de um poema do Drummond ao ler este aqui.
Paula,
somos isso ou aquilo, fótons ou ondas?
Abç fraterno.
Marcio,
vc é generoso demais.
O Drummond é o Pelé da poesia, e eu nunca aprendi direito a chutar a pelota...rsrsrs
Fico grato pela tua generosidade.
Grande mesmo é o teu coração de amigo.
Eis a espécie humana, eis um homem-feito.
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