
QUINTA
D. SEBASTIÃO, REI DE PORTUGAL
Louco, sim, louco, porque quis grandeza
Qual a Sorte a não dá.
Não coube em mim minha certeza;
Por isso onde o areal está
Ficou meu ser que houve, não o que há.
Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?
Fernando Pessoa
in Mensagem
fonte do txt:
http://www.insite.com.br/art/pessoa/mensage1.html
fonte da img:
Cadáver de Antonio Conselheiro
(em memória dos soterrados em São Sebastião do Rio de Janeiro)
10 comentários:
Sempre bom reler...E como vem a calhar...
Poder e Loucura.
beijos, Eurico
Pois é, Eurico, em tempos sombrios, a palavra dos mestres pode ser um facho de luz. De minha parte, estou acompanhado de Drummond.
Um abraço.
Ja aconselha Italo Calvino a releitura dos clássicos.
Abraço
Também eu me consolo nas palavras de Pessoa na minha postagem anterior. O grande poeta tem sempre uma palavra.
Que bom vir aqui agora.
Grande abraço e bom final de semana.
A loucura messiânica implícita nos poemas de Mensagem... eu chamaria de esperança crística; essa que, apesar de tudo, tinham os adeptos do Conselheiro. Deserdados de tudo, tinham esperança, mesmo fanática, era uma esperança. Tudo ruia em derredor da monarquia e levas de ex-escravos zanzavam pelos sertões... A Igreja e o Estado não lhes traziam mais resposta e a fome lhes roia o corpo e a mente. A esperança lhes acenava no discurso visionário do Conselheiro. Eles não eram cadáveres adiados, posto que morriam de esperança...
Essa é a minha leitura, em meio à crise que vai solapando as arcaicas estruturas do mundo...
Um mundo que carece de p(r)o(f)etas, amiga, como dizia o pensador Roger Garaudy...
Uma boa saída para a crise.
abraço
Gostei do p(r)o(f)etas.
Mas com certeza, precisamos
muito mais de poetas!
E amigo, somos sim, cadáveres adiados,
desde que nascemos. Entrar em contato com Pessoa é, quase sempre, mergulhar num mar profundo, de águas turbulentas e agitadas.
E é nesse alvoroço interior, que ele mostra todo seu amor por tudo e por todos.
É o seu jeito de ser. Sua contradição...
Em tempo de crise, procuramos respostas.
Mas não há respostas.
Só o eterno confrontar da nossa dor.
Abraço, amigo Lírico!
Jac, seja bem-vinda!
Mas como dói pensar assim...
Eu, apesar de todas as vicissitudes, tenho uma Esperança...
Lá no íntimo, guardo uma singela Esperança... rs
Eurico, se você me permite outro
comentário, gostaria de dizer que
é essa esperança que nos mantém o brilho no olhar e a atenção nessa viagem estranha.
Nossa aflição é existencial e, por isso, permanente. Mas o mistério desse 'existir', que nos parece tantas vezes sem sentido, é que é
fascinante.
Começo a gostar desse lugar...o seu blog...
Jac, amiga, vc é generosa com meu humilde espaço. Tenho sorte de conhecer aqui, pessoas como vc. Se não fosse a blogosfera eu teria os meus textos jogados em uma gaveta qualquer...
Aqui tenho com quem dialogar. E olhe que esse aí acima são merecedores de uma visita. Mai, Dauri, Jens, Jacinta e Paula Barros são gente fina e inteligente. Se puder, visite-os.
São todos bons para uma prosa...
Ah, tenho de te revelar que o meu compadre Carlinhos é o meu amigo invisível. Qdo morei em Olinda criei esse pseudônimo, um "quase heterônimo". Mas o Sítio tá meio abandonado. Lá é o meu espaço para prosa, como o Cultura Solidária é o lugar em que "interfiro na pólis", ou seja, apresento idéias, como as do ecossocialismo.
Tomara que façamos uma bela amizade virtual. Pelo que li no teu blogue, tua poesia é pura arte literária.
Abraçamigo e fra/terno.
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