
Há um logos da caatinga
que me circunda e sou eu.
Nessa flora estiolada,
palpita um nervo de D'us...
Fiz inúteis cavalgadas
a procurar quintessências.
Regressei de mãos vazias.
Minha alma então cansada
de deambular por chapadas,
cruzando o sertão bravio,
voltou-se pras minudências,
e desvendou, ad-mirada,
na flor que enfrenta o estio,
o mistério da existência.
Quase palpei com as pupilas
a miúda flor de cacto,
essa líquida ironia,
que umedeceu minha alma.
E a divindade, buscada
por inacessíveis plagas,
brotou ao alcance da palma
de minha mão estendida,
na flor da beira da estrada.
Há um logos da caatinga
e o que me circunda sou eu.
Na vegetação rasteira,
palpita um nervo de D'us...
que me circunda e sou eu.
Nessa flora estiolada,
palpita um nervo de D'us...
Fiz inúteis cavalgadas
a procurar quintessências.
Regressei de mãos vazias.
Minha alma então cansada
de deambular por chapadas,
cruzando o sertão bravio,
voltou-se pras minudências,
e desvendou, ad-mirada,
na flor que enfrenta o estio,
o mistério da existência.
Quase palpei com as pupilas
a miúda flor de cacto,
essa líquida ironia,
que umedeceu minha alma.
E a divindade, buscada
por inacessíveis plagas,
brotou ao alcance da palma
de minha mão estendida,
na flor da beira da estrada.
Há um logos da caatinga
e o que me circunda sou eu.
Na vegetação rasteira,
palpita um nervo de D'us...
***
N. do A.: cantiga dedicada aos poetas blogueiros,
cuja clareza textual me faz buscar a simplicidade,
que julgo não alcançar, mesmo nessa espécie de xote.
cuja clareza textual me faz buscar a simplicidade,
que julgo não alcançar, mesmo nessa espécie de xote.
***
fonte da img.:
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11 comentários:
Belo ad-memorie de um poeta que enCanta nossa bela e solidaria paisagem sertaneja. Amo as cores, os cheiros e os sabores do sertao nordestino. Um rasgo de verde, de carmim, amarelo cor de caja, no meio do ocre, no marrom dos rios ainda vivos. Seu poema lembrou-me Os Cassacos do Maximiliano Campos...
Parabens pelo texto (tou sem acento, perdoe-me).
Sim, sou de Olinda, e chego ja para as ferias. E tou morta de saudade das minhas ladeiras...
;)
A flor cactácea
palpada com as pupilas:
tua líquida ironia, árida aliteração, íntima antítese, deliciosa sinestesia...
Esta flor que, personificada, nos toca...
O que é isto que te exiges como clareza textual? Tu és um artista e merece a admiração dos amadores blogueiros da poesia.
por essas e outras q adoro meu nordeste... venha conhecer meu MUNDO e rir um pouco... te aguardo
bjoka
sucesso!
os poetas blogueiros merecem. mas e quem é mera (con)versadeira? rs...
Gostei, poeta. Me senti mais próxima. Não menos encantada, claro.
beijo
A Flor de Cacto é uma guerreira. No seu habitat inóspito, desenvolve-se, e é "flor"!
O nosso olhar, habituado à fartura, ou o nosso "logos" que se esgotou em busca de grandezas, se surpreende com o pouco que se necessita para se viver.
E Deus aponta a flor de cacto para lembrar à razão essa "des-necessidade" de excessos para uma existência total e plena: a flor de cacto é a prova cabal da simplicidade de existir.
Canto essa cantiga sempre...Em outras modalidades.
Beijos, Eurico!
Dora
TAMBÉM ESTUDOU FILOSFIA? HAVERIA MAIS UM ELEMENTO EMPÁTICO ENTRE NÓS?
ESTOU ADOENTADA. ESPERO A VOSSA VISITA.
Postei sobre o filme Across The Universe, apareça por lá:
wwwrenatacordeiro.blogspot.com/
não há ponto depois de www
Caramba!
eu, fico aqui, admirando seus versos e me sentindo meio deserto e outro tanto de vontade de me ver flor de cactos. Entende?
Abraços
Jacinta não entendo, sinto o que dizes, pura empatia.
Abraçamigo.
nerval poema seivático, selvático, poeta, pois que o cacto, como naquele poema de bandeira, jogado/lançado, na rua que o recusa, na cidade que o ignora, e o sanguessuga, pois que o cacto é belo, ao nos desrotinizar de nossas caatingas, de nossas fissuras, de nossos espinhos de existir, posto que são os que nos protegem da agressão do meio.
meu abraço,
luis
Prazer imenso me dá tua visita, Mestre Luís.
Abraçamigo.
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