CANTEIRO DE OBRAS:

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segunda-feira, novembro 28, 2011

AVES HERMÉTICAS (da leitura dos motes e das coisas)



Essas palavras apenas vozeiam,
distraídos bandos sintáticos,
por pura obediência
às leis do ritmo e da contigüidade.
Nada pretendem dizer além do vôo.
Não fazem metáfora, nem mistério.
Vozeiam, simplesmente.

Mas eu as persigo
como um gavião faminto
persegue a sua presa
para renovar a (minha) vida...

Inútil,
esse (meu) desesperado afã de compreensão:
Herméticos, (as coisas, os motes),
milhanos, num vórtice,
devoram-me...



Fonte da imagem:
Aves atacam predador


Sounds of Nature - Forest Piano:

6 comentários:

  1. Que voo de pensamento!

    Lindo, Eurico!

    "O êxito está em ter êxito".

    E q que atualmente é êxito?

    Difícil, não é?

    Beijos

    Mirze

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  2. Belíssimo!

    Um dos meus desejos é ver um predador sendo atacado.

    Imagem e poema de tirar o fôlego!

    Beijos

    Mirze

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  3. Eurico!

    Desculpe incomodar, mas "herméticas vem de Hermes"

    Dr Google não quis me dizer.

    Beijos

    Mirze

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  4. Palavras vozeiam, clamam pios, sensibilizam, bradam pradarias celestes, pairam.
    Nada pretendem dizer e nada dizem, apenas agigantam-se em beleza.

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  5. Mirze, querida amiga,
    a Palavra atravessa a história e vai camaleonicamente se adaptando aos tempos. Umas até se insurgem contra seu sentido original. Mas a resposta é sim e não. Se falamos do Hermes - Mercúrio, que aos gregos aparecia com asinhas nos pés e daí serm uma espécie de carteiro a jato, hehehe, não, pois essa idéia se opõe ao que é secreto, fechado, sentido a que nos induz o eu-enunciador-do-poema; mas se nos referimos ao Hermes Trismegisto, nome mais usado pelos alquimistas, deus dos códigos escritos, pode ser...
    E digo, pode ser, pois um poema que se quer poema, ou seja, um artefato verbal, uma "máquina de gerar interpretações" (Eco), um poema, eu dizia, deve alargar o limite do "sentido", ou, dos sentidos, sejam físicos, etimológicos, oníricos, etc.
    Enfim...

    Só tentei responder pq é pra vc, amiga. Pq sei que exploras meus poemas com olhos curiosos, olhos mirzeanos, eu diria...
    Em verdade, não deveria um poeta explicar as coisas de um poema. O poema é, ele mesmo, responsável pelo que diz. rsrsrs Mas essa regra é para os grandes poetas. Eu como sou um pequenino aprendiz de poeta, tentei explicar.

    Abç fra/terno.

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  6. essas palavras se alçam em ímpetos de elevação, são nuvens de excelsa raiz



    abraço

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